(estado espanhol) Jornal da CNT em PDF com um amplo dossier sobre o Covid-19

Importante dossiê sobre a situação político-sanitária no Estado Espanhol.

Portal Anarquista

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Neste número (baixar aqui)

  • PRIMERA PLANA: Reflexiones en torno al Covid-19
    • Covid-19: De crisis sanitaria a crisis social
    • Haz el amor y no la guerra
    • Sí es lo que parece
    • Palabras padentro: Y aprendimos las palabras
    • Ante la represión del Covid-19 dentro de los Centros Penitenciarios
  • EDITORIAL
    • La eterna lucha del proletariado
  • SINDICAL
    • Huelga indefinida de CNT en Productos Florida
    • La belleza de un jueves de lucha en las calles
    • Jerez inicia el año marcado por los conflictos sindicales
    • Formanortex no cumple el convenio ni paga las horas extras por sistema
    • Zona Lumbar: El vertedero
  • DOSIER: Lucha de clases
    • Feminismo de clase ¿pasado o presente?
    • El cuarto oscuro: Clases de lucha
    • La ciudad contra la clase
    • La lucha de clases continua: una visión económica del conflicto
    • Lucha de clases y Anarquismo
    • Funámbulos: ¿Pero tú de qué vives?
  • NOSOTRAS
    • Trillar la parva del patriarcado
    • La trinchera coeducativa
    • De…

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20 de novembro de 1969 Caminhada para a fuga

Luiz Alberto Sanz

À meia-noite em ponto, o ônibus deixou a Rodoviária Novo Rio rumo a São Paulo. Dez horas depois, eu me tornaria oficialmente um fugitivo. Era a madrugada do dia 20/11/1969. Eu tinha passado o dia anterior nas tratativas da fuga.

Acordei cedo e fui encontrar “Rex”, meu assistente na VAR-Palmares, em um botequim de Ipanema. Penso, agora, no fato curioso de que, tendo morado e passado uma parte considerável de minha juventude na boemia local, jamais pisara ali. Sentei-me, pedi média com pão e manteiga e pus-me à espera. Na minha frente surgiu Zé Wilker, um quase irmão com quem morei em três apartamentos: o da minha mãe, um alugado por Cesarion Praxedes (ambos na Senador Vergueiro) e outro na Prudente de Moraes, que os três compartilhamos com Antonio Roosevelt Chrysóstomo de Oliveira (meu parente por afeição, já que era primo de meu cunhado e padrinho Sebastião de Oliveira e um notável jornalista). Reflito: os quatro nos destacamos profissional e pessoalmente, mas também tivemos vidas atormentadas.

Fiquei inquieto: meu encontro com Rex era clandestino. Não convinha que Wilker o conhecesse. Pode ser que tenham vindo a se conhecer no futuro, pois Rex (não revelo o nome, pois não lhe pedi autorização) teve papel importante em cargo da confiança de Fernando Henrique presidente. Mas não deveria acontecer ali. Por outro lado, era provavelmente minha despedida de Wilker, meu irmão de sonhos revolucionários, empreendimentos malsucedidos e rebeliões. Eu não contava sair vivo da empreitada em que estava mergulhando. E se saísse, quem seríamos no futuro? Conversamos um pouco e deixei o Zé saber que eu tinha um “ponto” e não podia me alongar.

Depois que saiu, Rex se aproximou. Contei-lhe que o feroz Delegado Agra chefe do DOPS do antigo Estado do Rio queria me ver e que dias antes minha mãe recebera um telefonema do Cosme Alves Neto (Conservador da Cinemateca do MAM), que precisava falar comigo. Tinha um recado. O “Conservador”, grande amigo e companheiro contou que Roberto Amaral, editor-chefe da Editora da FGV, onde eu trabalhara, fora procurado pelos “verdes”, que queriam saber de mim.

O quadro se completava. Fausto Fleury (fotógrafo e estudante de Cinema da UFF que viria a se tornar Chefe da Cineteca da Universidade do Chile no seu exílio em Santiago), com quem eu compartilhava um quarto e sala na Senador Vergueiro, já estava em São Paulo, para onde seguira quando recebemos informações sobre a queda do “aparelho” alugado pela VAR em seu nome para abrigar “Sergio” (Francisco Celso Calmon) e outros companheiros, que o abandonaram sem destruir ou levar documentos comprometedores. Pouco depois, Calmon, sua companheira e mais uma militante foram detidos e os militares foram ao meu último endereço conhecido, no qual eu recebera Calmon, ferido, e onde as moças o iam visitar.

Combinamos, Rex e Eu, que não voltaríamos a nos ver (só aconteceu na Oban, em São Paulo, em fins de maio, começo de junho, de 1970. Marcamos um ponto dele com Maria Odila Rangel, minha companheira, para pô-lo a par dos acontecimentos e para que me desse formas de recontatar a organização.

Saí dali, fui à UFF, onde o chefe do gabinete do Reitor Manuel Barreto Neto, José Carlos de Almeida, me pediu para ir falar com o subchefe Vinícius Gomes, que ele estava recebendo visitantes. Eles eram meus chefes diretos, já que eu tinha sido nomeado recentemente Diretor da Imprensa Universitária, para implantar o órgão. Vinícius me recebeu, ansioso e afável. Foi direto: “O delegado Agra quer falar contigo. Pediu para você ir lá no DOPS. Vai e fala sinceramente com ele, ele já sabe que você é da confiança do Reitor e nossa. Parece que tem alguma coisa a ver com o Fausto”. Fausto era bolsista no Setor de Arte Cinematográfica, então Vinícius o conhecia.

Fui para a minha sala, retirei qualquer coisa que pudesse ser considerada comprometedora. Avisei à Odila (que era estagiária no Ateliê de Criação da Imprensa) e lhe disse para ir para a casa de sua mãe, onde pernoitava.

Aproveitei o resto da manhã para ir ao DOPS. Agra, não sei se acreditou em mim ou não quis ficar mal com seus e meus amigos da Reitoria. Recentemente, o gabinete do Reitor havia me defendido quando o órgão de informação do MEC pediu explicações por eu ter sido nomeado Diretor da IU, ressaltando eu ser fichado por minha atuação, sobretudo, junto à UNE, em 63/64/65 e 66. Então, me disse para ir para casa, preparar uma valise e voltar no dia seguinte às 10 horas, pois aquele 19 de novembro era um quarta-feira, então não adiantava nada ele me levar antes de quinta-feira à 2ª Seção da 1ª Região Militar (que viria a transformar-se no DOI-Codi).

Voltei à Reitoria. Pedi ao Érico Silveira, outro estagiário da IU, para encaminhar meus exemplares de “Positif” e “Cahiers de Cinéma” para a Biblioteca montada pela diretora do Iacs, Hagar Espanha Gomes, intelectual e personalidade por quem tenho, até hoje, afeto e admiração. Fiz um outro pacote com materiais mais “perigosos”, cujo conteúdo escapa na minha memória. Carreguei-o comigo. Procurei o dirigente estudantil José da Silva, com quem compartilhara lides intelectuais e boêmias antes que ambos viéssemos para a UFF, em quem podia confiar, e lhe pedi que me seguisse na longa caminhada que faria até o MAM. Saí da Reitoria, a pé, e fui até a Rua Presidente Domiciano 102, onde ficava o Instituto Mario de Andrade, curso pré-vestibular criado pelo saudoso militante anarquista Robson Achiamé, que assumiu a responsabilidade por guardar aqueles documentos e, se eu sobrevivesse, devolvê-los a mim quando fosse possível. O que aconteceu em 1980, quando nos reencontramos. Nos despedimos com carinho. Ele mandou um beijo afetuoso para Odila.

Dali, caminhei até às Barcas, atravessei a baía e continuei a pé até o MAM. Onde esperei o Zé da Silva que vinha alguns metros atrás e confirmou que eu não fora seguido. Emocionados nos despedimos. Só o reencontrei, por acaso, mais de dez anos depois, na entrada do Fórum do Rio. Ele, advogado bem-sucedido. Eu, um desempregado tentando me divorciar da primeira mulher, para viver em paz com Odila. Foi a última vez que nos vimos.

Do museu fui à oficina de serigrafia do Raul, um artista plástico forjado nos primeiros anos da UnB, a quem pedi que levasse um recado para a mãe dos meus filhos já nascidos e que fora uma militante comunista muito engajada: Ela seria convocada no próximo dia pelo Serviço Secreto do Exército e que, em seu depoimento, evitasse dizer coisas por rancor que pudessem prejudicar a Odila, cuja militância era nenhuma naquele então.

Despedi-me de Raul, mais tarde, de minha família, arrumei algumas roupas em uma valise. Fui encontrar Odila no ateliê de Domenico Lazzarini, grande mestre pintor, professor de minha amada companheira e meu amigo, Odila pernoitaria ali. Lazzarini me levaria à Rodoviária, com a cobertura de meu amigo e primo por afinidade, Pedro Moraes, companheiro de minha prima Vera Valdez e pai de Mariana de Moraes, recém-nascida, a quem apelidei de Sofará (homenagem ao personagem de Joanna Fomm em “Macunaíma”. Pedro deveria certificar-se, do mezanino da Rodoviária, que eu havia embarcado sem problemas.

Com Pedro me reencontrei algumas vezes depois de voltar ao Brasil, ainda tenho notícias por suas filhas Mariana e Julia. Lazzarini não vi mais. Puta saudade. No final dos anos 80, em uma vernissage de meu primo Luiz Gonzaga de Mello Gomes, na galeria Bonino, fiquei sabendo por Caio Mourão que ele morrera.

Cheguei a São Paulo pelas seis, sete da manhã, na velha Rodoviária. Fui para a casa de Duddu Barreto Leite, minha irmã, prima, amada, companheira de tantas histórias de vida. Ficaria com ela pouco tempo, só até Odila chegar. Fausto já estava lá. Sairíamos os três para o apartamento de outra personalidade notável, também atriz, produtora, amiga, companheira: Moema Brum, gaúcha de faca na bota. Começava um novo capítulo em nossas vidas, o da Clandestinidade.

Precisei lembrar aquele dia 20 de novembro. Está encravado em mim. Como estão entranhados os personagens que o habitam. E que tornou-se também a data convencional da nossa União, da Odila comigo e de mim com a Odila e que não se encerrou, sequer com sua morte em 07 de abril de 2009.

Balanço amargo e otimista em 1969

Luiz Alberto Sanz

Há quase exatamente 50 anos, pouco antes de ir para a clandestinidade, em 19 de novembro de 1969, mas já consciente de que o cerco se apertava sobre mim, escrevi um ensaio crítico sobre a situação do Teatro Brasileiro. Entreguei-o à editoria do caderno cultural que o Jornal do Commercio publicava aos domingos e fui cuidar dos meus afazeres como Diretor da Imprensa Universitária da Universidade Federal Fluminense e pesquisador-colaborador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Era também um dos críticos de cinema do Jornal do Commercio. Em 23 de novembro, quatro dias depois da fuga, com os militares no meu encalço, o artigo saiu publicado.

Volto a editá-lo aqui e agora por duas razões: continuo a achar que toca em questões importantes ainda hoje sobre o caráter do Teatro que se faz no Brasil e considero que oferece subsídios para as novas gerações entenderem o cenário em que a atividade artística se desenvolvia no Brasil. Pouco tempo depois, clandestino e ilegal, refugiado em São Paulo, integrei-me ao Teatro Popular União e Olho Vivo, então ainda sob a identidade do Teatro do Onze, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Ali, nos ensaios de “O Evangelho Segundo Zebedeu”, de Cesar Vieira, encontrei a arte que preconizava no texto “A vez do cavalo perneta perdedor ou Vamos botar para quebrar seu Edgard”. Comecei a ensaiar como assistente de direção e cheguei a aceitar assumir a Direção de Produção, convidado por Idibal Pivetta, Oswaldo Mello e Belisário Santos Jr.. Mas não deu tempo, fui preso no dia seguinte ao convite.

No artigo chamo a atenção para como É irritante como escorrem besteiras por esta cidade (Rio de Janeiro) desde que o espetáculo de José Celso Martinez Correia entrou em cartaz”. O espetáculo era “Na Selva das Cidades”, de Bertolt Brecht, que provocou um grande impacto e marcou os novos rumos do Oficina. Dito isto, vamos botar pra quebrar seu Edgard.

A vez do cavalo perneta perdedor, ou vamos botar pra quebrar, seu Edgard

Luiz Alberto Sanz

Há nove anos, 1960, eu escrevia o meu primeiro artigo sobre teatro, substituindo Luiza Barreto Leite — então em longas férias europeias.

Foi um — o primeiro — de uma série longa de artigos que redundaram na profissionalização, através da assinatura de colunas diárias de crítica a cinema e a teatro. Agora, hoje, escrevo o último de uma nova série — ainda em substituição a Luiza Barreto Leite, também em férias. Aproveito e dou um pulo até o tempo em que comecei. É um quase balanço do teatro e da política que o envolve. Amargo e otimista.

1960, sem dúvida, foi o ano de A mais valia vai acabar, seu Edgar.

Talvez tenha sido mais o seu ano que o de qualquer outro espetáculo ou texto, mesmo que de muito melhor qualidade (que a sua não era muita).

Propunha-se às claras uma linguagem, uma temática e um comportamento político para o teatro brasileiro. Buscava-se uma plástica e mise-en-scène condizentes e coadunadas com este tipo de expressão (não conduzida pelo conteúdo — como pretende um cavalheiro, G. Marques, que escreveu no Pasquim em defesa da estética tradicional, ou do evolucionismo na arte — mas significado único e indissolúvel, síntese). O espetáculo lançava um novo grupo, o Teatro Jovem, que, após um conflito intestino, rachou-se de cima abaixo, interrompendo-se a carreira da peça, que passou a ser conduzida pelo Centro Popular de Cultura, nascido das ambições e anseios não só dos integrantes dissidentes — os que mantinham a decisão de prosseguir nas apresentações do texto de Oduvaldo Vianna Filho, dirigido por Chico de Assis e musicado por Carlinhos Lira — mas como de outros intelectuais.

O próprio Teatro Jovem era filho do Teatro de Arena — quanto a influências — que viera de se instalar no Rio de Janeiro e cedera alguns dos seus talentos maiores para desenvolver o grupo amador: Oduvaldo, então um autor-promessa-talento e Chico, capaz de um belo espetáculo mesmo que perdendo-se na plasticidade. Mas, após o racha, correria para os braços de Van Jafa e dos autores duvidosos (Ionesco, russos contemporâneos-oficiais etc. etc.) deixando ao CPC o rumo do teatro político, mais tarde desaprendido ou abandonado por ele próprio, graças a concepções niveladoras, estalinistas, pequeno-burguesas que desaguaram mui fertilmente no colaboracionismo do Grupo Opinião da vida.

As razões para lembrar isto repousam no que se pode ver à distância de nove anos e muitas pauladas. Se em 1960 a posição mais progressista e mais avançada do TB era a de tentar-se traduzir a Teoria crítica da mais valia aos palcos — coisa permissível pelas próprias autoridades — hoje, ela está na negação da cultura, no despojamento do intelectual da sua característica de categoria social, no seu suicídio como artista (da forma como o termo se fixou). Hoje, aqueles que explodiram no início da década estão perfeitamente de acordo com um “evolucionismo” duvidoso, em que passaremos —- certamente — de maneira metódica e lógica de aprendizado moderado e contínuo à nova cultura. Serão os princípios estéticos da burguesia que gerarão — dizem-nos os iniciadores dos centros de cultura — de maneira linear, lógica e destiladora a cultura nova. Hoje, como oposição à linguagem da destruição — que por si mesma conduz a um impasse — é defendida a colaboração, não em termos honestos de necessidade comercial de sobrevivência, de subexistência, mas em termos de recuo político para acumular forças, de salvaguardar a cultura progressista.

É irritante como escorrem besteiras por esta cidade desde que o espetáculo de José Celso Martinez Correia entrou em cartaz. É praticamente impossível para quase toda a gente lúcida e bem-pensante, de nossas artes e outras bossas, compreender que do mar de destruição que se busca lançar sobre a plateia e — mais do que tudo — sobre o nosso acervo cultural de classe só pode sair alguma coisa de positivo a partir de uma crítica bem fundada de seus resultados — processada por seus participantes mesmos.

Está criado o impasse no Teatro Brasileiro: as pessoas deverão confessar que o comércio está institucionalizado. Que a única coisa importante é subsistir, que só é fundamental comer duas vezes por dia (pelo menos), que só se continua a fazer teatro porque, no fundo, é a única coisa que se sabe fazer. O poder de exorcismo que “fazer teatro” tinha em tempos melhores — devemos ver — foi transformado em frustação. Pisar num palco e representar, hoje, tem o mesmo gosto que aquele sentido pelo professor de natação obrigado a ensinar à velha e gorda esposa do comendador que procura exibir-se na piscina comprada para “prazer e devassidão das suas filhas”. Porque é tudo falso, porque nós sabemos que não tem mais sentido, que a arte que fazemos esta desligada do mundo, talvez mais próxima do “não-objeto” de Ferreira Gullar do que ele próprio possa admitir. Estamos num mundo a exigir coisas e a receber lixo.

E os nossos bem-pensantes evolucionistas defendem que o lixo não deve ser feito lixo, mas, já não podemos comer a polpa da maçã, podemos satisfazer-nos com as cascas deixadas de lado, em vez de lançá-las à lata e anunciar aos quatro ventos que o que todo o mundo está comendo é lixo, que o que todo mundo está fazendo é representar um quadro de burlesco, que nós não temos que ouvir o que nos dizem e que, se continuarmos a apresentar nos palcos dos teatros, para o público que nos assiste, é para dizer-lhe: olha aqui, meu caro senhor, não vamos servir-lhe Lixo disfarçado em risoto, vamos, sim, mostrar-lhe toda a porcaria contida no prato e na bebida que te servimos normalmente ou que o dono do restaurante nos deixa servir. Isto, se acharmos que é preciso ainda fazer alguma coisa mais ou menos honesta com o teatro, em termos de preocupação intelectual. A outra solução é continuar a servir-lhes lixo, mesmo aquele disfarçado em arte, mas com a consciência e a honestidade supremas para confessar: Olha, eu sou um bom torneiro mecânico, operário especializado, que sei desempenhar as minhas funções e não comprometo nisso a minha própria opinião.

De qualquer das duas formas, é preciso saber, estamos aguçando e apressando o impasse: traçamos o nosso suicídio como gente de teatro. Para a primeira solução, em breve tempo, atingiremos a compreensão de que ou passamos à segunda ou então vamos ser copeiros e caixas. Porque já estamos sendo assimilados às custas de não adicionarmos nada de novo e, portanto, não aproveitarmos as condições que nós mesmos ajudamos a preparar. Na segunda solução, tornar-se-á patente que, por mais eficazes e técnicos que consigamos ser, em pouco tempo estaremos impossibilitados de servir à nova exigência. Afinal a sociedade de consumo se consome.

Botando para quebrar, ou botando para colar, de qualquer forma marchamos para o suicídio, seu Edgard. Tudo que fizemos ou estamos fazendo não tem mais sentido para o momento em que estamos vivendo. O Teatro Brasileiro, ultrapolitizado há nove anos, hoje contempla sua própria morte e lamenta-a.

No fundo, eu acho que estou tocando a trombeta. Nada é mais chato e lamentável do que ver um cavalo perneta tentando correr sem nenhum outro concorrente que não a própria realidade. Ele nunca poderá ganhar, nem mesmo correndo sozinho E isso é ótimo. Os frustrados profissionais que me perdoem.

Jornal do Commercio (RJ), p05, Caderno de Domingo, 23 de novembro de 1969

Rio de Janeiro (RJ) 26/04 e 27/04/19 evento importante para toda a classe trabalhadora

Uma discussão extremamente importante. Reblogo aqui.

Organização Popular

Autonomia e Organização: Diálogos com a Confederação Nacional do Trabalho (CIT) – Espanha, afiliada da Confederação Internacional do Trabalho (CIT).

Local: SINDIPETRO-RJ, Avenida Passos, 34, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Realização: Núcleo pró-ATB Rio, Organização Popular (OP) – Rede Autônoma de Luta Pela Educação (RALE) e Grupo Autônomo SINDSCOPE.

Apoio: Movimento das Comunidades Populares (MCP), Centro de Mídia Independente (CMI-Rio), Movimento Passe Livre (MPL-Niterói), Biblioteca Engenho do Mato (BEM), Quilombo Cafundá-Astrogilda, TransFormiga, Us Neguin Q Ñ C Kala, Caboata Bazar, Candeias Artesanato e Coletivo Roça.

Contato: organizacaopopular@riseup.net, atb-geral@riseup.net

26/04: Sexta Feira

18:30h Abertura

Pascual Gonzalez: Diálogos com convidado da CNT afiliada da CIT – CNT-Villaverde.

Raquel Simas e Katia Motta: Sindicalismo e Gênero – Grupo Autônomo SINDSCOPE.

André Leonardo: Movimento Popular e Favela – OP e TransFormiga.

João Neto: Mediação Núcleo pró-ATB Rio.

27/04: Sábado

8:30h Mesa

Igor e Anthony Devalle: Sindicato e Movimentos Populares – OP.

Júlio…

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Anarquistas contra o nazismo

Uma leitura muito esclarecedora para a minha ignorância sobre a resistência anarquista na Alemanha Nazista. Recomendo.

IEL - Instituto de Estudos Libertários

A história da resistência anarquista alemã não é bem conhecida. Por isso tentarei fornecer sistematicamente uma orientação mínima dentro de um tema tão pouco estudado. Para começar, é necessário dizer algumas palavras sobre a história do movimento Anarquista na Alemanha. Max Nettlau (historiador e militante anarquista) identificou suas origens no “Círculo dos livres de Berlin”, que se formou em torno de 1848, onde também faziam parte Max Stirner, os irmãos Bauer entre outros. Na segunda metade do século XIX, gradualmente, toma forma um movimento anarquista que tem a ver com o partido socialdemocrata mais forte da Europa, o SPD (Sozialdemokratische Partei Deutschlands).

O pequeno movimento anarquista alemão experimenta um ‘boom’ promissor, mas de curta duração nos anos posteriores a I Guerra Mundial, em muito devido ao antimilitarismo presente na população, exausta pelo conflito e suas pesadas consequências sociais.

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Bom Retiro, meu amor II

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Luka Krsux, Ana Elisa Moro, Flávia Sztutman, Juma Tanaka, Angelita Alves e Leandro Soussa em plena Feira Fashion. No canto direito, o codiretor Rogerio Tarifa.

A nova comunidade tem como finalidade a própria comunidade. Isto, porém, é a interação viva de homens íntegros e de boa têmpera na qual dar é tão abençoado como tomar, uma vez que ambos são um mesmo movimento, visto ora da perspectiva daquele que move, ora daquele que é movido. (Martin Buber)

Onde dar é tão abençoado como tomar

Luiz Alberto Sanz

Fotos: Graciela Rodriguez

Nos meus encontros com o Teatro Popular União e Olho Vivo, ao longo de décadas, foi crescendo um sentimento, uma sensação, de que em seu seio e no de outros grupos que receberam sua influência, como Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA e Brava Companhia, está em processo uma transformação definida pelo filósofo Martin Buber há muito tempo: o surgimento da Nova Comunidade.

E a nova comunidade tem como finalidade a Vida. Não esta vida ou aquela, vidas delimitadas, em última análise, por delimitações injustificáveis, mas a vida que liberta de limites e conceitos, pois conceitos são curiosas andas para pessoas cujos pés não suportam a terra por ser demasiado áspera e selvagem; entretanto, aquele que conseguiu situar-se na própria vida, aquele que aprendeu a falar a linguagem da ação, festejará sorridente sua libertação da rigidez escravizante do pensamento, e após longo afastamento, a reunificação de suas forças na unidade da vida. Na verdade, há também em homens individuais comunidade e harmonia de contradições que existem lado a lado. (Buber, M., Sobre Comunidade. São Paulo: Perspectiva, p.31 e 32)

Bom Retiro, meu amor, no processo de pesquisa e criação, nos ensaios, nos bastidores, na encenação, nas confraternizações pós-espetáculos e até nas redes sociais, habitualmente espelhos de vaidades, respira e transpira esse espírito de diálogo e comunhão tão fundamental no pensamento e na obra de Buber. O espetáculo e o grupo, em simbiose, formam um caleidoscópio no qual convergências e contradições se harmonizam e vivem lado a lado.

Em seu livro fundamental, Eu e Tu, Buber finca as raízes da Filosofia do Diálogo, que vai desenvolver e enriquecer ao longo de sua obra, especialmente, para mim, nos textos incluídos pela editora Perspectiva nos livros Do diálogo e do dialógico e Sobre comunidade.

Para nós, porém, que queremos criar a comunidade e elevar a Vida, comunidade e Vida são uma só coisa. A comunidade que imaginamos é somente uma expressão de transbordante anseio pela Vida em sua totalidade. Toda Vida nasce de comunidades e aspira a comunidades. A comunidade é fim e fonte de Vida. Nossos sentimentos de vida, os que nos mostram o parentesco e a comunidade de toda vida do mundo, não podem ser exercitados totalmente a não ser em comunidade. E, em uma comunidade pura nada podemos criar que não intensifique o poder, o sentido e o valor da Vida. Vida e comunidade são os dois lados de um mesmo ser. E temos o privilégio de tomar e a oferecer a ambos de modo claro: vida por anseio à vida, comunidade por anseio à comunidade. (idem p32)

É nítida a benção que recebemos dos criadores, executores, produtores e apoiadores de Bom Retiro, meu amor, quando nos oferecem vida por anseio à vida, comunidade por anseio à comunidade. Colhem de nós, público, que a eles os oferecemos prazerosamente, os olhares, os gestos, as atitudes de aprovação ou desaprovação, geradas dialogicamente por suas atitudes, olhares, palavras, gestos, timbres, notas musicais, efeitos sonoros e de luz, cores e formas cenográficas, de adereço e vestuário. Essa beleza que os bons espetáculos transmitem. Omnipresente, Cesar Vieira mostra o caminho, regendo as dramaturgias, observando incansavelmente cada detalhe, aconselhando, sugerindo e harmonizando todos os aspectos do espetáculo que é, sem dúvida, a marca da contemporaneidade do TUOV, resistindo e avançando ininterruptamente há 53 anos.

Forma-se uma comunidade multifacetada na qual interagem bastidores, palco e plateia. Por mais efêmera que seja sua duração, os rastros e consequências continuarão em nossas memórias e sentidos, refletindo-se em nossa atitude perante a vida.

Polifonia

É difícil escrever sobre as partes que compõem um espetáculo verdadeiramente bom. Se algo se destaca a ponto de a plateia notar é sinal de fraqueza, rachaduras no casco do navio.

Sobretudo a boa direção não é obviamente identificada pelo público comum. Apenas lá está, seja individual, em parceria ou coletiva. Sem ela, o espetáculo moderno não existiria, não teria a unidade e a harmonia demonstradas em Bom Retiro, meu amor. Mas é essencial que apreciemos não apenas a “unidade diferenciada de alta complexidade” da Teoria das Estranhezas de UED Maluf, citada aqui no artigo anterior. Os isomorfos, ou fragmentos, que interagem para compor essa unidade têm vida própria. Se não fosse assim, teríamos apenas uma amálgama sólida, mas informe, sem atrativo.

Um dos elementos mais notáveis deste espetáculo, que tem por linha narrativa a diversidade trazida pelas migrações que fizeram a particularidade do Bom Retiro, é seu caráter polifônico. Não tomemos a palavra literalmente, reduzindo-a ao sentido musical. Embora ele possa ser o ponto de partida desta análise. A trilha sonora criada por Rogério Guarapiran (também membro da Comissão de Dramaturgia) é polifônica, estrito senso. Não somente combina músicas independentes, como harmoniza vozes e sons diversos simultaneamente.

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Lívia Loureiro canta “Duerme Negrito”, ladeada por Juma Tanaka e Angelita Alves, enquanto Mei Hua Soares desenreda o fio da história das oficinas de suor.

Isto se evidencia, entre outros pontos, em uma das subcenas mais fortes, que pausa e frisa a cena da tragédia de Romeu e Julieta proletários: Lívia Loureiro interpreta de maneira magnífica e pungente, Duerme Negrito, canção de ninar da região fronteiriça entre Colômbia e Venezuela, capturando a atenção do público com sua voz e a clareza das palavras. Iluminação, música, interpretação, cenário e figurino ressaltam o caráter expressionista desta inserção, quebrando o realismo épico para que volte com ainda mais força. Uma quebra dramática que acrescenta uma nota particular à polifonia do espetáculo.

A trilha contextualiza as épocas de migração associando ritmos delas contemporâneos. Há que destacar todos os membros da “banda”, que tocam e trocam de instrumentos e participam do elenco com talento e maestria. Babi Pacini nos oferece suas belíssimas e suaves voz, postura corporal, face e interpretação. Pedro Fraga, nas cordas e na interpretação e Babi trazem a experiência do conjunto Samba do Bule, assim como o coordenador musical Cesinha Pivetta. Este, desde a infância no TUOV. Na percussão, o também ator Oswaldo Acaleo, aportando a consciência e a práxis que construiu na vida de lutas e na longa jornada do Olho Vivo, no qual foi protagonista de João Cândido do Brasil, a Revolta da Chibata e teve papel relevante em A cobra vai fumar. Desta vez, afastado das atividades teatrais, foi assistir a um ensaio e, convidado, voltou ao grupo, reforçando a interação entre os novos e a tradição.

A polifonia se afirma também na diversidade de vozes que contam uma só história em outra das cenas que mais me impactaram. Um dos clímax da peça: as mulheres da vida. No que seria um monólogo em um teatro dramático tradicional, as atrizes contam na primeira pessoa uma só história que é, em si, a de um mosaico de mulheres levadas à prostituição por uma sociedade injusta e exploradora. Não é a das mulheres que escolhem ser profissionais do sexo, mas das proletárias sem alternativas. Diversas vozes, diversos corpos, diversos movimentos se harmonizam, não afloram as possíveis diferenças técnicas e artísticas, não se rompe o mosaico. São diferentes, mas são uma. Parabéns Juma Tanaka, Ana Elisa Moro, Mei Hua Soares, Angelita Alves, Danila Gonçalves e Flávia Sztutman.

O início e o fim

E assim é, desde o começo da encenação, quando os intérpretes fazem um chamado aos espectadores, cantando o hino do TUOV, para que se tornem público; e será até o final, quando deixam à plateia a responsabilidade de ser atores de sua própria história. Restaura-se um arco que nos leva aos momentos finais do espetáculo fundador do grupo: O Evangelho Segundo Zebedeu, no qual os artistas do circo conclamam a rebelião, sem obter resposta. Então, como agora e sempre, cabe ao público refletir e agir. Suas contribuições à polifonia são o silêncio, as palmas e as vozes que debatem em suas mentes.

Chamados os espectadores a seus lugares, elenco e personagens entram em cortejo, conduzidos pelo Rei Momo (Neriney Moreira), da peça do mesmo nome, ponto alto no repertório do grupo, e seus súditos mestre-sala e porta-bandeira Romeu (Leandro Soussa) e Julieta (Juma Tanaka), compondo a comissão de frente que recepcionará os imigrantes e “costurará” a conexão entre cenas diversas, com destaque no féretro de Julieta e Romeu. Papel semelhante desempenham os intérpretes de Julieta (Mei Hua Soares, também integrante da Comissão de Dramaturgia) e Romeu (Dante Kanenas), cujas personas são aedos desta tragédia, assim como o fantoche Saci (manipulado pela Catadora de Lixo/Danila Gonçalves) que, comenta, desconstrói, critica enredo e falas enganosas.

Juma e Leandro desfilam e dançam com grande habilidade e beleza. É difícil ser porta-bandeira e mestre-sala em qualquer lugar, ainda mais em espaço tão estreito quanto o da passarela do TUOV, com público sentado no chão. Além de dançarem belamente, com postura clássica, como é o desejável, cumprem os preceitos básicos de seus personagens: a bandeira em momento algum deve ou pode tocar ou ser tocada, até que o mestre-sala a segure para beijá-la e exibi-la, aberta, para a plateia. E este deve proteger bandeira e porta-bandeira o tempo todo.

Como todos no elenco, Juma e Leandro assumem outros personagens, seja na greve de Perus, no desfile de modas ou na mobilização das “oficinas de suor” onde costureiras e alfaiates subalimentados trabalham até a exaustão. Mas têm a seu cargo escoltar o Momo que ora quer desanimar os imigrantes desmanchando seus sonhos de um futuro maravilhoso, ora busca submetê-los ao seu poder monárquico, para, logo, curvar-se aos argumentos dos recém-chegados e às ponderações do conselheiro mestre-sala e entregar ao povo sua coroa e deixar a História e a história seguirem seu rumo.

A chegada dos imigrantes é um abre-alas tragicômico em que se associam sofrimento, esperança e farsa. A partir daí, o espetáculo prende a atenção e desperta a curiosidade. É preciso olhar para todos os lados, pois cada ângulo nos conta algo diferente. Assisti ao ensaio geral no sábado 15 e aos dois espetáculos de estreia no domingo 16, sentado em diferentes posições na plateia. Em cada um descobri coisas novas e percebi como toda a equipe aperfeiçoou a encenação, confirmando uma máxima da tradição teatral: o espetáculo só está pronto quando acaba. A cada momento, todos nele envolvidos recebem diferentes estímulos e aprimoram, inovam.

O amor é mais forte que o revólver

O clímax da encenação é a sequência de cenas em torno da indústria da moda, composta pela “feira fashion”, as intervenções da “Catadora de Lixo Fashion” e do seu amigo Saci, as “Oficinas de suor”, o “Romance de Romeu e Julieta costureiros” e seu desfecho com a morte dos amantes resumida na canção “O amor é mais forte que o revólver”, até onde sei, criação coletiva, interpretada por Dante Kanenas em expressivos entoação e “gestus” épico. Do desfile de modas participa praticamente todo o elenco, com Flavia Sztutman, Leandro Soussa e Luka Krsux frisando o tom grotesco e Juma Tanaka, Angelita Alves e Ana Elisa Moro harmonizando a sátira com movimentos incisivos, embora afetados.

danila, o saci, mei hua e eu
Danila Gonçalves e o Saci mantêm o público e seus colegas em suspenso. Vejam o olhar de Mei Hua Soares para ela.

Aqui, preciso falar de Danila Gonçalves. Jamais a vira representar, assim como à grande maioria dos demais membros do elenco. Para mim, é uma atriz completa, que se aperfeiçoará na jornada que tem pela frente. É jovem, mas já nos pega pelo nariz e pode dizer: Estão ouvindo o que estou dizendo? Estão vendo o que estou fazendo? A um tal ponto que seus próprios colegas param para observá-la. Há uma foto que incluí nesta matéria em que aparecemos, o público (eu entre outras pessoas), de um lado, e Mei Hua (outra atriz extraordinária), olhos brilhantes, pendentes de sua interpretação. Na subcena que se segue à feira fashion, em alguns movimentos da melhor tradição circense, Danila coloca um fecho estrondoso à derrocada da indústria.

Nesta sequência, o que se destaca é, mais uma vez, a polifonia no sentido amplo, em que direção, figurinos, adereços, música, iluminação e interpretação se harmonizam e impactam, tecendo uma unidade em que horror e beleza não se opõem. Em que o lindo e bravo casal executado por se amar e seu amigo por defender seu direito ao amor, tornam-se símbolos de uma mudança que há de vir, “uma expressão de transbordante anseio pela Vida em sua totalidade”.

As atuações de Mei Hua Soares e Dante Kanenas têm que ser destacadas. Narram enquanto agem, mantêm o ritmo comedido e a emoção contida, embora intensa, forte. Seu distanciamento permite que o impacto emocional se dê na plateia onde é seu lugar, negando-lhe a catarse. Marcaram-me profundamente.

E o final? O final fica por conta de um diálogo-duelo de dois bons intérpretes, o veterano Neriney Moreira e o novato Luka Krsux, com a plateia. A cada sessão deverá crescer dramaturgicamente.

Um espetáculo com tantos matizes de todos os tipos não existiria sem a Direção Geral e a Codireção sábias e apaixonadas a cargo de Cesar Vieira e Rogerio Tarifa e a Coordenação artística, de cenários e figurinos de Graciela Rodriguez, que já vem, a cada montagem do TUOV, refinando cenários e vestimentas. De gerações e formações distantes, interagem confirmando a frase de que tanto gosto, dita em cena por Dante Kanenas: “O tempo não é dinheiro, é o tecido de nossas vidas”. Juntos, tecem uma nova vida, tendo como parceiros alguns dos melhores profissionais hoje em atividade: Luís Mármora no treinamento de atuação, Ester Freitas no treinamento vocal, Marilda Alface na preparação corporal, Gil Teixeira na iluminação, Walter Quaglia na pesquisa, Maria Tereza Urias na Direção de produção, Natasha Karasek na produção e Renê Kostanny na assistência de produção. Particularmente notável é a equipe de Cenografia e Figurino, com Lívia Loureiro, assistente, e os ajudantes Juma Tanaka e Edson Rocha.

Só posso desejar que os leitores usufruam da encenação como eu estou fazendo.

Serviço: O espetáculo entra em temporada hoje, 12 de janeiro de 2019, no Teatro Popular União e Olho Vivo, à rua Newton Prado 766 no Bom Retiro, São Paulo, Capital. Duas sessões, hoje e amanhã às 16:30 e 19:30h. Ingressos serão distribuídos gratuitamente, com uma hora de antecedência.

O Geógrafo Reclus e sua Anarquia pela Educação

Excelente resenha das obras de Réclus. Um chamamento à leitura deste importante pioneiro do pensamento libertário. Especial atenção para Anarquia pela Educação.

Organização Popular

(por: W. B.*)

A Editora Hedra tem uma bela coleção com mais de cem livros de bolso. Entre eles, o interessantíssimo Anarquia pela Educação, com tradução de Plínio Augusto Coelho. Trata-se duma coletânea de escritos do geógrafo anarquista francês Élissée Reclus. Nascido em Sainte-Foj-la-Grande a 15/03/1830 e falecido em Touhout (Bélgica) em 04/07/1905, esse pensador nos deixou valiosos textos, alguns dos quais figuram no livreto do qual nos ocupamos aqui.

Em “A Anarquia” (elaborado em 1894), Reclus nos fala sobre a gênese do Anarquismo, enfocando suas ideias chave. Estas, na verdade, já precediam em muito o movimento político surgido sob esse nome no século 19. Nesse sentido, a anarquia como ideia e como prática social veio antes do Anarquismo. Sociedades sem Estado e sem exploração são mais do que uma possibilidade: são realidade de muitos lugares em diferentes épocas.

O texto “Por que somos anarquistas?” (1886) é…

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