22 anos sem Luiza Barreto Leite – 3

(☼01/10/1909, em Santa Maria, RS, † 01/12/1996 no Rio de Janeiro, RJ)

DIÁRIO DE VIAGEM

Isto é revolução?

Luiza em Natal, em fevereiro de 1963. Registro feito pelo fotógrafo oficial do Palácio da Esperança.

Luiza era um excelente jornalista. Em 1963, viajou ao Rio Grande do Norte “enviada pelo permanentemente acusado de loucura lírica, Embaixador Paschoal Carlos Magno, Secretário Geral do Conselho Nacional de Cultura, incumbida de missão não menos doida: incentivar, reformar, criar, formar, orientar e vários outros verbos, conforme o caso, o interesse e o grau de alfabetização dos inscritos nos cursos de emergência para atores, professores, etc”. Cumpriu sua tarefa e combinou-a com as de repórter, escrevendo sobre o que acontecia em terras potiguares e publicando fatos, análises e opiniões desconhecidos para os leitores do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, como para a maior parte dos brasileiros. Este primeiro artigo foi publicado à página 05 do 3º caderno (Suplemento Dominical), no dia 17 de fevereiro de 1963.

O Brasil era, então, governado pelo Presidente João Goulart, que iniciara, assim como o Governador de Pernambuco, Miguel Arraes de Alencar, reformas classificadas de “Revolução Vermelha” por seus adversários. Os progressistas do PSD (Partido de Juscelino Kubistchek), apoiando-se no projeto de iniciativa ianque “Aliança Para o Progresso”, lançou programas sociais que se confundiam, em muitos aspectos, com os desenvolvidos pelos trabalhistas de Jango e os socialistas de Arraes, para fazer-lhes frente. Luiza relata neste e em outros artigos a “Revolução Branca” iniciada pelo Governador Aluízio Alves. Pouco mais de um ano depois, as reformas “vermelhas” de Jango e Arraes e “brancas” de Aluízio Alves foram interrompidas e destruídas pelo Golpe Militar. Mas o potiguar não perdeu o mandato, enquanto Jango teve que ir para o exílio e Arraes foi preso e depois exilado. Com a palavra Luiza:

Natal, fevereiro — Foi o próprio Calazans quem disse:

— Fazer revolução não é pegar em armas e derrubar governo, fazer revolução é educar, plantar, criar condições para o povo evoluir, estudar, trabalhar e adquirir consciência. É isto que o governo Aluízio Alves está fazendo, uma revolução de cima para baixo. E é por isto que andam dizendo por aí que Aluízio pegou o dinheiro da “Aliança” para com ele fazer a revolução. Não importa o que digam, importa apenas o que estamos fazendo. Os americanos deram dinheiro para a Educação e nós estamos educando. Está ou não está certo?

Sim, quem disse isso foi aquele mesmo Calazans Fernandes; excelente repórter internacional, tão conhecido no Rio por suas aventuras mais ou menos malucas, por sua audácia desmedida, por sua imaginação mirabolante, que, desta vez, sumiu de nosso ramerrão carioca, não para correr terras desconhecidas e distantes, mas para voltar à sua própria, assumindo a responsabilidade, ao ocupar a Secretaria Educação, não só de alfabetizar, mas de educar para a vida, ensinando-o a raciocinar, todo o povo do Rio Grande do Norte. Mas a tarefa não é apenas educar e sim educar a jato. Alfabetizar em quarenta horas e ir ao mesmo tempo, através do admirável método do professor pernambucano Paulo Freire,  sobre o qual falarei a seguir, parece impossível para quem não viu o que vi em Angicos, mas para quem teve oportunidadede observar o milagre, só uma pergunta ocorre: “E depois, o que virá depois?”.

Pois é justamente esta a pergunta que anda de boca em boca na cidade de Natal. Eu a ouvi de um motorista de táxi, de estudantes, de jornalistas, de gente esparsa no aeroporto, de famílias soltas pelo parque que contorna a Lagoa onde se comemorou o segundo aniversário do Governo Aluízio Alves e até dos membros deste próprio Governo, interessados em encontrar uma solução de continuidade para essa alfabetização em larga escala, realizada a toque de caixa pelos universitários que empregam o método Paulo Freire e, a longo prazo, pelas professoras leigas, por sua vez sujeitas a periódicos e intensos cursos de treinamento, planejados pelo Centro de Pesquisas Educacionais dirigido por Lia Campos, uma gaúcha que veio para cá passar um ano e já anda se aproximando do quinquênio.

“E depois; que virá depois?” – pensam não só aqueles que estão metidos na mais séria brincadeira dos últimos tempos, como também os que dela descreem ou a ela se opõem. A diferença é que os primeiros confiam em si próprios e no povo e se mostram absolutamente certos de que a solução cairá do céu, através da própria equipe do Paulo, cujas pesquisas continuam, pois melhor do que ninguém ela sabe que suas quarenta horas deverão ser prolongadas pela vida inteira para que seu método seja realmente válido ou através de outra forma, de incentivar o interesse cultural das comunidades rarefeitas do sertão, ao passo que os outros acrescentam à pergunta uma afirmativa de sentido duplo: “É um governo de loucos”…

Quanto a mim, que aqui estou enviada pelo permanentemente acusado de loucura lírica, Embaixador Paschoal Carlos Magno, Secretário Geraldo Conselho Nacional de Cultura, incumbida de missão não menos doida: incentivar, reformar, criar, formar, orientar e vários outros verbos, conforme o caso, o interesse e o grau de alfabetização dos inscritos nos cursos de emergência para atores, professores, etc., que posso dizer? Que posso dizer, eu que há cinco dias corro o Estado em todas as direções e em todas as conduções, acompanhando ora o governador e seu Secretário de Educação, para verificar a estupenda experiência de Angicos, ora a Diretora do Centro de Pesquisas, em sua periódica inspeção aos cursos de formação e aperfeiçoamento de professores leigos, encarregados das escolas isoladas ou de comunidades distantes, até onde não se atrevem a chegar as moças formadas e com possibilidades de ficarem pelas cidades?

Que posso dizer eu, que também pela produção agrícola me meti, acompanhando o Embaixador de Israel, o ministro Isaac Levy, um general israelense, um representante do nosso Ministério da Agricultura e o coronel Leão, Secretário da Agricultura do Rio Grande do Norte, até uma antiga fazenda abandonada (2.000 hectares de terra que, já sentiram florescer o algodão e hoje simbolizam a miséria e a seca), onde possivelmente venha a ser instalada a mais perfeita e extensa fazenda coletiva conhecida no mundo ocidental, nos moldes das que ajudaram a convencer o mundo de que para o povo de Israel não existe o impossível? Que poderei dizer eu, que andei e ainda ando distribuindo aulas relâmpago, com um mínimo de exemplos práticos de improvisação, jogos dramáticos e dramatizações a serviço da psicologia aplicada à pedagogia experimental, eu que ando improvisando a recreação didática, levada pelos ventos favoráveis à vontade de servir, procurando adaptar um método geral a cada caso particular? Que poderei dizer eu, investida pela própria doideira, sobre a loucura, deste Estado, que não é gigante, mas até agora, andava adormecido em comunhão com outros companheiros ainda por despertar? Que poderei dizer, senão que, a ser verdade o que se murmura e se grita sobre a “Aliança para o Progresso”, o Governo Aluízio Alves está sentado sobre uma bomba relógio? Qual a hora determinada para que a bomba estoure? Nem ele nem ninguém poderá responder a esta pergunta enquanto não responder à primeira, pois dela depende todo o futuro, não só do Rio Grande do Norte, como possivelmente do Nordeste, do Norte e mesmo do Brasil inteiro. O Governador e seus Secretários sabem que estão jogando uma cartada tão perigosa quanto aquela que levou Jânio Quadros à Presidência da República, mas Aluízio Alves, primeiro deve ter consciência de que se largar a cartada pelo meio, tal como Jânio, não será mais eleito nem mesmo prefeito de seu Município. Renúncias por aqui não haverá – e disto ninguém duvida – mas largar a cartada não é só renunciar, é sobretudo blefar. No pé em que estão as coisas, com Miguel Arraes cavalgando de rédea solta em seus calcanhares, com os cursos de alfabetização de adultos entregues a universitários vastamente politizados (nos mais diversos sentidos, mas conscientes da necessidade de um Brasil brasileiro), com um mundo de promessas feitas aos lavradores, aos operários, às professoras e às mães de família, tendo já começado a desencadear a onda de vibração por uma vida que mereça a pena ser vivida, o Governador do Rio Grande do Norte não poderá parar. E se o fizer, ficará estatelado no caminho, vendo seu Estado continuar no ritmo da marcha batida que aqui mesmo se levanta, porque “de pé no chão” ou de alpercatas, quando um povo começa a pensar, a ler, a trabalhar, conscientemente, ninguém o contém.

AluízioAlves começou a revolução branca, ou melhor, a revolução verde esperança, que é a sua cor, dele. Da vitória de seu programa depende que a esperança do povo não mude de cor, porque povo daltônico é o diabo. Sim, o Governo do Rio Grande do Norte só pode ser composto de doidos, doidos decididos a tirar o pino da bomba relógio para que ela não leve pelos ares todas as esperanças de um povo também doido, mas de fome, de miséria, de enfermidades, de ignorância e de inércia. E, se o pino não for retirado a tempo? Se houver “forças ocultas” que impeçam essa equipe de malucos de tentar provar que, mais uma vez, no Brasil, a História se repete melhorando as coisas sem armas, sem sangue e sem perda de jovens indispensáveis à construção, apenas com a compreensão de que o momento foi chegado de libertar isto ou aquilo, de evoluir neste ou naquele sentido? Se houver retrocesso da “Aliança”, que farão eles, os responsáveis pelo destino do Rio Grande do Norte? Bem, esta é outra história que só a História poderá contar, mas que me atreverei a prever em artigo a seguir.

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22 anos sem Luiza Barreto Leite – 2

(☼01/10/1909, em Santa Maria, RS, † 01/12/1996 no Rio de Janeiro, RJ)

Luiza Barreto Leite 009 (2)Anotações sobre o tempo de viver

Há o tempo de semear e o tempo de colher: isto Elisa aprendera muito cedo, vendo e ouvindo as coisas da Estância. Não da sua estância, naturalmente, que de seu nunca tivera mais do que a diminuta varanda do apartamento fabricado em série para os inumeráveis contribuintes de Institutos. Lembrava-se, com mais ternura que saudade, dos grandes quintais das várias casas em que alimentara seus sonhos de grande cidade.

E agora, na penumbra precoce. Observando os reflexos do sol através dos sujos blocos de cimento armado que se interpunham entre ela e o horizonte sonhado, imaginava o pampa longínquo e a frase aprendida na infância martelava-lhe as têmporas. Porque a frase lhe trazia a memória da estância que não chegara a conhecer? A estância onde sua mãe traçara um destino de disco voador sem astronauta.

Quando Elisa nasceu, seu avô já havia morrido e, com ele, toda a glória da família. Ficara a lenda do latifundiário que tudo perdera, inclusive a vida, por culpa de sua alma de libertador, incapaz…[1]

A volta

Aqui estou eu, neste anoitecer de 1º de janeiro de 1979, dez anos após o maior desmoronamento desta minha vida[2], tão beneficiada por quedas, trambolhões e rolar de ladeiras e morros, já que montanhas altas nunca me foi dado escalar. Estou um tanto zonza, quase apatetada, e as ideias se aglomeram em minha cabeça, transformando-a, mais uma vez, em um fantástico liquidificador, onde bailam ingredientes impossíveis de misturar, tais como a compreensão, a angústia, a dúvida, o medo, a descrença e a esperança.

[1] Este texto inacabado sobre Elisa, personagem certamente fictício, contém referências à História de Luiza. Provavelmente é uma tentativa de conseguir contar sua vida e seus pensamentos utilizando-se de uma protagonista ficcional. O avô latifundiário com espírito libertador foi o Coronel Luiz Gonzaga de Azevedo (☼19-08-1854 em Cruz Alta, RS, e †07-09-1909 em Tupanciretã), primeiro Intendente (Prefeito) eleito de Vila Rica (logo depois renomeada como Júlio de Castilhos), município onde fica a Estância Vista Alegre, que pertencera ao bisavô materno de Luiza, o farroupilha Serafim Corrêa de Barros, O Bravo, e onde sua avó, Francisca Corrêa de Azevedo, e sua mãe, Gonçalina Corrêa de Azevedo, cresceram. A estância, referência nostálgica de minha mãe, já não era da família quando ela nasceu. Mas essa é História para ser contada em outra hora e talvez por outra pessoa, mais informada que eu.

[2] No dia 19 de novembro de 1969, fugindo do Exército, que me procurava por atividades políticas, entrei na clandestinidade. No dia seguinte, meu irmão, Sergio Sanz, foi preso em meu lugar, sendo levado para o Quartel da Polícia do Exército. Aí, para Luiza, começou um pesadelo que lhe traria à memória tudo que passara na Ditadura de Getúlio Vargas com a prisão de seu irmão, o jornalista Barreto Leite Filho, consequência da apreensão do arquivo de Luiz Carlos Prestes. Quando fez esta anotação, Luiza, ativa no Comitê Brasileiro de Anistia, estava sob a tensão da possível aprovação da Lei que permitiria a volta ao Brasil de numerosos banidos e exilados, entre eles eu, minha companheira Maria Odila Rangel e nosso filho João Luiz Rangel Sanz, o Joca Sanz., o que aconteceu em agosto daquele ano.

22 anos sem Luiza Barreto Leite

☼ Santa Maria, RS, em 01/10/1909 † Rio de Janeiro, RJ, em 01/12/1996

Luiza Barreto Leite 016

Luiza Azevedo Barreto Leite Sanz foi educadora, jornalista, atriz, radialista apaixonada por seus ofícios; mãe, avó, bisavó,filha, irmã, tia, cunhada, amiga e professora amantíssima, além de esposa paciente e fiel, enquanto durou. Amor que estendia também a alguns dos seus professores e colegas. Foi também sindicalista, participando da Diretoria do Sindicato dos Artistas do Estado do Rio de Janeiro, militando no Sindicato dos Jornalistas e participando da Fundação, em 1945, do Partido Socialista Brasileiro, ao lado de seu irmão, o jornalista Barreto Leite Filho e do crítico de Arte e pensador político Mario Pedrosa. Uma das realizações de que mais se orgulhava era a criação do I Seminário de Dramaturgia Carioca. Fundou Os Comediantes, marca fundamental do moderno Teatro Brasileiro, a Cooperativa de Espetáculos Novos de Arte, a primeira iniciativa autogestionária de empresas cênicas no Brasil e pertenceu ao Teatro Popular União e Olho Vivo, praticamente desde a fundação até sua morte. Luiza foi a pessoa mais agregadora que conhecemos, como lembra meu filho André Luiz da Silva Sanz.

Durante sua vida, sobretudo na maturidade e na velhice, fez anotações em todos os papéis que tivesse às mãos, incluindo livros de contabilidade e de atas cuja vida útil já terminara. Pesquisando em caixas de papelão, pastas e envelopes para tentar recompor os registros de sua vida e recuperar obras inéditas, correspondências, versões originais de artigos, roteiros, peças e livros, alguns nunca publicados, eu as encontrei. Publico aqui algumas destas anotações, com o carinho de seus filhos Sandra, Sergio e Luiz Alberto por essa mulher preocupada com toda a Humanidade e nostálgica do seu Rio Grande do Sul.

Anotações de uma mulher preocupada

Estou sempre preocupada com alguém ou com alguma coisa. Parece-me estar sempre em dívida. Com a vida? Com a morte? Com as pessoas? Dívidas de dinheiro, jamais! Sempre pago todas em dia. Só atraso o analista e um ou outro milionário, e assim mesmo não por muito tempo. O analista é milionário? Sei lá, nem me interessa. Ou talvez seja. Milionário de ternura. Da ternura que ele sabe captar, pois conhece o segredo.

Sim, é isto: detesto dever e por isto até ternura dou mais do que me pedem. Mais do que as pessoas são capazes de suportar. Ou dava. Agora estou ficando diferente. Começo a só dar o que pedem e, então, noto o quanto as criaturas, emocionalmente, pedem pouco. Talvez desejem, mesmo ardentemente, mas não pedem e parecem sufocadas quando a gente insiste em dar nas horas fechadas.

Sim, é isto: há horas fechadas e horas abertas, como portas. Mas quem se interessa por penetrar através das portas sempre abertas? Mas, às vezes, as portas se abrem, ou são feitas de vidro, justamente para não despertar a atenção dos mexeriqueiros, dos ladrões ou da polícia. Pois só os mexeriqueiros, os ladrões e a polícia penetram onde ninguém os quer. (…)

(Escritas provavelmente em meados dos anos 60)

Aquela consciente e racional

“Aquela que traiu e aquela que foi traída
Aquela que tanto amou e aquela que foi amada
Aquela que viveu e aquela que sonhou
Aquela que tudo soube e aquela que ignorou.

Todas um dia envelhecem e,
ao encarar a face da morte,
encontram no infinito a pureza da solidão.

Por isto, é preciso rezar por aquelas que morrem cedo,
por aquelas que não sofreram e da vida nada levaram.”

Encontrei este arremedo de poema entre as mil notinhas que vivo escrevendo e perdendo — ou jogando fora. Pois vou aproveitá-las de agora em diante em homenagem aos que ainda acreditam em mim. Em homenagem sobretudo às minhas amigas Heloisa e Wanda[1], responsáveis pelo livro que talvez saia deste amontoado de fatos e memórias distorcidas. E também de Betinha e Arlette[2], que sempre acreditaram em mim, e, mais ainda, de Luiz Alberto, meu Neném, e de José Ribamar[3], que não gostam dos meus livros porque acreditam que posso fazer melhor.

Será meu o poema acima? Só pode, de tão ruim, se fosse de outra, nem a viciada em novela de Tv que minha parte consciente renega teria coragem de copiar e guardar. Pois esta sou eu, consciente, racional, conservada e cultivada

(A letra, ainda firme, indica o final dos anos 80, começo dos 90 como época provável )

Ânsia frustrada

Hoje, uma das minhas vizinhas falou:

“ Eu sempre via você no Café Amarelinho. Você sacudia lindos cabelos dourados caídos sobre os ombros e eu dizia:

‘— Não me conformo de ver uma garota tão bonita casada com um homem tão feio[4].’

“Um dia me explicaram que ele era muito inteligente e vocês se entendiam muito bem.”

“— Muito inteligente, muito mais do que ele mesmo pensa – respondi – mas, de que serve a inteligência incapaz de construir.”

E fiquei pensando: de que nos serve lutar contra a ignorância enquanto o mundo for dominado pela neurose? Há ignorâncias construtivas e genialidades piores que incêndios na mata, mas haverá neurose sem ignorância? Afinal, que será a neurose senão a obscura ânsia de realização através do conhecimento construtivo? Ânsia frustrada.

[1] As escritoras e dramaturgas Heloísa Maranhão e Wanda Fabian. Heloísa também lecionava na Escola Dramática Martins Penna, como Luiza.

[2] A editora Elizabeth Lins do Rego, responsável pela publicação de “A Mulher no Teatro Brasileiro”, de Luiza, e Arlette Neves Milito, jornalista, amiga e umbandista, como Luiza.

[3] Dr. José Ribamar Neves, irmão de Arlette, médico e intelectual brilhante, amigo fiel e leal de Luiza, a quem ela queria como um filho.

[4] José Sanz, Marido de Luiza, era crítico cinematográfico e de jazz, Curador da Cinemateca do MAM, organizou o Simpósio de Ficção Científica do FIF, foi editor, livreiro, sindicalista bancário na adolescência e juventude, fez parte da Cooperativa se Espetáculos Novos de Arte, presidida por Luiza, do Teatro Experimental do Negro, assistente do cineasta Alberto Cavalcanti, tradutor e coordenou coleções de Ficção Científica, entre outras muitas atividades.

Eleição é uma questão tática

às urnas, em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores

Luiz Alberto Barreto Leite Sanz

Com o respeito inabalável que dedico a todos os camaradas que têm a coragem de assumir-se como libertários e/ou anarquistas, mergulhando nas tarefas cotidianas de mudar o mundo mesmo que saibamos que a maior parte de nós não o verá mudado, argumento que estamos tomando por estratégica uma palavra de ordem tática. Nem sempre os anarquistas se abstiveram ou anularam seus votos. Em 1936, no Estado Espanhol, os anarquistas foram às urnas em apoio à Frente Popular, da qual não faziam parte, para impedir a vitória eleitoral do fascismo. Este ano, os libertários mexicanos reunidos em torno do EZLN e do Conselho Nacional Indígena lançaram à Presidência da República a médica tradicional do povo nahua María de Jesús Patrício Martínez, porta-voz do Conselho Indígena de Governo. O objetivo? Deixar claro o caráter enganador das eleições gerais mexicanas e a independência do movimento indígena ante os conluios eleitorais.

Penso que estamos em uma situação semelhante à vivida no Estado Espanhol na que foi a última eleição da II República. A Frente Popular não era muito diferente do que é a aliança em torno a #FernandoHaddad e a Frente Nacional de Gil Robles tampouco diferia muito do que é o amontoado direitista de Bolsonaro. Em lugar do clero católico encabeçado pela Opus Dei, temos os neopentecostais.

Eu me abstive no primeiro turno, coerente com a convicção de que deveria ficar patente que a rejeição é tão grande que torna ilegítima a vitória de qualquer das partes. Neste segundo turno, frente à possibilidade de vitória eleitoral dos fascistas e a ameaça de golpe implícita no decreto do General Etchegoyen assinado pelo sr. Michel Temer,

votarei #contraofascismo

votarei #Haddad,

sem que isto signifique que apoio sua política, seu partido e seus aliados. E convido a todos que prefiram lutar em liberdade por uma sociedade mais justa para que se somem à

#ResistênciaAntifascista

#bolsonaronão

Teatro de fantoches

Escrevo este artigo ainda sob o impacto do decreto que ressuscita o DOI-CODI, agora com o nome pomposo de Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. Foi emitido no dia 15, na surdina, pelo atual desgoverno, cuja persona mais forte, e que vai coordenar o “novo” órgão centralizador da repressão, é o General Sergio Etchegoyen, que o assina juntamente com o “Presidente” Michel Temer.

É a mais importante novidade do quadro político no Brasil, embora já houvesse pistas de que poderia acontecer. Mas não percebo reação significativa das forças antifascistas e democráticas, nem mesmo dos grupamentos envolvidos no embate eleitoral. A mais consistente veio do jornalista Luís Nassif, no GGN, no dia 17, em artigo que terminava com a frase: “Bem-vindos de volta ao inferno!” Compartilhada a informação nas redes sociais, houve uma resposta considerável, porém as duas campanhas, que eu saiba, ficaram caladas.

No mesmo dia 17 (ainda não lera a coluna do Nassif), compartilhei o texto do decreto no Face Book e no G+, dizendo:

Renasce, por decreto, o DOI-CODI, agora com o nome pomposo de Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. (…) Nem esperaram o resultado da eleição, ainda indefinida. Querem deixar lastro para que as ações repressivas não tenham que passar por um Presidente Civil. O poder, desde já, está nas mãos do General Etchegoyen, filho e neto dos generais Etchegoyen de má memória. Confirma-se a condição de fantoche do senhor Michel Temer. A mão que o manipula tem punho de ferro.

Comentando a preocupação de uma colega quanto ao conteúdo do decreto, na mesma postagem, escrevi:

Sim, amiga! Os generais preparam-se para intervir, penso eu, qualquer que seja o resultado. É impensável para eles servirem sob as ordens de um petista em um país dividido. Mas também é impensável servir sob as ordens de um capitão, conhecido na tropa como “bunda suja” e que foi dispensado, enviado para a reforma, aos 32 anos por insubordinação e outras violações do Regimento Disciplinar do Exército, o famoso RDE.

Silêncio ruidoso

É preocupante o silêncio do PT e de seu candidato a respeito das consequências deste documento que Nassif e outros colegas da Imprensa chamaram de preparação para o Ato Institucional Nº 1 “do novo regime”.

Que a campanha da extrema direita não se pronuncie, é natural. Seus membros pensam que essa Força-Tarefa os fortalecerá, que o General Etchegoyen e seus pares se submeterão ao capitão insubordinado. Algo semelhante pensaram os articuladores do golpe no Chile em 1973. Em suas comunicações internas chamavam Pinochet de Chapeuzinho Vermelho (é melhor do que “Bunda Suja”). Acabaram engolidos pela “menininha ingênua” que se mostrou um ditador voraz.

Esquecem os bolsonaristas e seus estrategos que a seus atos de campanha, organização de milícias, agressões orquestradas contra seus adversários, postagens nas redes sociais de apoiadores empunhando armas, caem como uma luva as caracterizações de formação de quadrilha e crime organizado, embora o decreto tenha como alvo principal os movimentos sociais e agrupamentos de esquerda e libertários. Seu candidato não conseguiu formar-se na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Os generais da ativa (não os generais de brigada reformados, que chegaram ao posto graças à aposentadoria) cursaram a Escola Superior de Guerra, a famosa “Sorbonne”, na qual foram gestados o golpe de 1964 e os Governos da Ditadura.

Lá estudaram, entre outras coisas, a ascensão e queda do nazismo e do fascismo italiano. Puderam investigar as consequências nefastas, para a aristocracia militar alemã, de alinhar-se a um regime comandado por um cabo do Exército desqualificado e transformado em mito por hábeis intelectuais pequeno-burgueses especialistas em manipulação das massas e por intelectuais orgânicos do lumpesinato que recrutaram a bandidagem, os descontentes com a situação econômica e social do país e todos os tipos de aventureiros para organizá-los em suas milícias, as SA e as SS e na GESTAPO. As SS, logo, foram transformadas em tropa de elite, com poder maior que o das forças armadas regulares, inclusive seus comandantes. Quando os generais perceberam que não poderiam manipular o cabo, era tarde demais. Estavam enfiados até o pescoço em uma guerra que não podiam vencer.

Abandono e desilusão

As esquerdas, incluídos os libertários (por menos que gostem disto), costumam subestimar seus adversários ou escolher errado seus rivais. Preferem brigar entre elas, em busca da hegemonia. A situação atual reflete tais vícios. Há uma surpresa geral com o crescimento da opção pela extrema direita, apesar de ser tendência mundial.

Os socialdemocratas (PT, PDT) perderam décadas dedicando-se a alcançar o poder governamental, fortalecer seus partidos e expandir suas bases eleitorais. Chegando ao governo, cooptaram os melhores quadros “de massa”, aqueles enraizados nos locais de trabalho, moradia e estudo para ocuparem postos nas burocracias governamentais, parlamentares e judiciais. E neutralizaram a ação dos sindicatos, convencidos de que os movimentos sociais que se enfrentassem ao Governo socialdemocrata estariam servindo aos inimigos de classe. Confundiram classe com partido e partido com Governo, repetindo erros históricos que remetem, pelo menos, à Revolução Francesa.

Deixaram um vazio que veio a ser ocupado pelos dissidentes de suas próprias organizações, por milicianos egressos das forças policiais, pelo lumpesinato armado com fuzis e entorpecentes e estruturado segundo normas aprendidas no convívio com presos políticos nos “anos de chumbo”, e também pelos pastores e “obreiros” neopentecostais. Todos oferecendo algum tipo de fé, conforto, agonia.

Quando a política econômica e social do que seria o Governo da Classe Trabalhadora encontrou uma crise no caminho, em parte provocada por seus verdadeiros adversários, o capital financeiro, que enriquecera ainda mais durante sua gestão, as massas começaram a abandoná-los, desestimuladas, percebendo que, à maneira de Getúlio, o Governo era o pai dos pobres, mas a mãe dos ricos. Como resposta, os governantes abriram novas negociações com aqueles que estavam agindo para derrubá-los. Foram perdendo os “aliados”, que pediam mais e não cumpriam o combinado. E o povo, principal beneficiado pelas políticas sociais, também se foi, desencantado ao descobrir que o que lhe fora concedido, dando-lhe esperança, não fora conquistado e se esvaía como fumaça e percebeu estar sem interlocutores que o ajudassem a entender o quadro confuso.

Não-voto e rejeição do estado

Os libertários, em particular os anarquistas, não abandonaram as bases, continuaram a organizar os trabalhadores e trabalhadoras, estudantes e famílias, moradores e moradoras e os sem teto. E com eles fundam e mantêm creches, escolas, bibliotecas e centros sociais. Em geral, sem abrir mão das convicções sobre o papel ilusionista e enganador da chamada democracia representativa e das eleições como estratégia transformadora da sociedade.

As palavras de ordem Abstenção e Voto Nulo tiveram, nas duas últimas eleições, uma repercussão talvez só equivalente à das eleições de 1974, em que mais de 50% dos alistados se abstiveram ou votaram nulo ou em branco. No entanto, eu me permito afirmar, sem comprovação, que essa estatística não representa uma adesão da maioria dos que se abstiveram, anularam ou comprimiram o botão da indiferença ao não-voto consciente.

A maior parte das pessoas que conheço que adotaram o não-voto não rejeitam o estado ou a sociedade. Rejeitam os partidos na medida em que os interpretam como ratatulhas, ajuntamentos de pessoas reles, infames, moral ou socialmente desprezíveis. Mas, na sua desesperança, ainda esperam que surja alguém em quem possam confiar. Precisamos mostrar-lhes que só podem confiar em si mesmos, em sua retidão, em seu compromisso com sua classe e seus iguais. Que o caminho está na democracia direta, na horizontalidade das decisões, no federalismo comunitário.

Saudações libertárias! Saudações democráticas!

Electra na visão de Caccoyannis[1]

Electra I

Luiz Alberto Sanz

 

A diferença entre o teatral e o cinematográfico na realização de filmes, muitas vezes fica apenas na identidade de um homem com sua câmera. Argumentam para mim que ELECTRA nada tem a ver com cinema por sua mise-en-scène ser teatral, por ter Caccoyannis mantido a sensação da existência de um palco. Não é exatamente verdade. Caccoyannis, na realidade, toma como base estrutura que se atribui à representação do Teatro grego em Agrigenti (não vi, não posso afirmar) ou o que seria uma apresentação teatral, com a particularidade de que sua visão é claramente cinematográfica, já que parte do ponto-de-vista de que película e câmera são mais do que a boca do palco ou o ponto-de-vista da plateia, tornando-as integrantes da ação (não um personagem adicional, mas parte interessada) com técnicas modernas de montagem e movimentação que aumentam sua força.

Caccoyannis foi à procura da essência de Electra, de seu coração e sua alma. Não ficou simplesmente na visão de Eurípedes, conhecedor profundo que é do mito e das tragédias dele oriundas. Não se limitou a visão de superfície, a simples montagem da tragédia. Fez seu trabalho trágico como o personagem. Gritou com todas as forças quando das mortes de Agamennon e de Clitemnestra e quando da perdição de Electra. Surgiu com sua alma ferida e romântica à procura de Electra, junto com Orestes e Pílades.

A estrutura da tragédia de Eurípedes é vista por Caccoyannis como algo dinâmico, moderno, que não mofou ou invalidou-se. Permite que se desenvolva, avance, exista sem um tempo exato, antigo, faz com que tenha valor contemporâneo, atual, e permanente. O drama se passa hoje mesmo, ontem, talvez amanhã. Não é uma questão (como no geral dos filmes históricos, mesmo os melhores) de manter a interpretação da história em sua época, sem permitir-lhe a atualidade. Esta presença histórica da tragédia como atemporal é que lhe dá a dimensão clássica. (Citaria como exemplo o HAMLET de Olivier, que mantém a representação teatral shakespeariana, confrontada com o Cinema em si, transformando a grande tragédia em uma presença acadêmica).

O filme de Caccoyannis se desenvolve em tensão incontrolável, em visão fantástica. Digo que passei por todo o filme pendurado, tenso, ferido pela presença dos personagens, por suas fantásticas existências (não são personagens, são gente, homens e mulheres presentes e vivos).

A utilização do coro grego como solução cinematográfica é um dos ingredientes especiais do filme. Mexem-se rítmica e doloridamente, com suas faces e atitudes trágicas, com suas existências marcadas e suas vozes pungentes. São a consciência do povo grego, são seu espírito e sua expressão. Sua presença na notícia da morte de Egisto, em que se tornam integrantes da ação, da luta heroica de Pílades e Orestes. A morte de Egisto é descrita através da luta dançada de guerreiros mascarados (talvez macedônica, muito semelhante à apresentada ao público brasileiro pelos georgianos).

Electra II

Luiz Alberto Sanz

 

Deixe meus olhos acariciarem a liberdade. Eurípedes in Electra

As esperanças vãs do coração de um Homem,
ora são cinza, ora esplendor, porém, em breve,
como por sobre o pó dos desertos a neve,
brilham somente uma hora ou duas e após somem.
Omar Khayyam in Rubaiyat – Rubai XVII.

Electra sustentou no peito, por anos incontáveis, o ódio sobre a morte de seu pai, principalmente por seu próprio apresamento e degradação. Lançada à inconcebível pena, para ela e seus iguais, de misturar-se à plebe, Electra o sente e chora desesperada, mas se vê livre e amada, vindo a perceber que a pobre casa pode ser um palácio, e que, muitas vezes, há mais nobreza entre os pobres que entre os fidalgos (mais ou menos o que diz o diálogo). Electra ali encontra seu povo, mas não pode amá-lo nem compreendê-lo verdadeiro pela intensidade do ódio que guarda. Virá a entender ao final, quando o esgota e percebe que sua vida está acabada, apesar da pequena esperança que é Pílades.

Sim, as vãs esperanças de realização da sua vingança, as vãs esperanças de conforto com o seu ato, tanto nela quanto em Orestes são como no rubai de Kayyam, como ele se desenvolvem.

Electra entende que amara sua mãe. Tal quantidade de ódio, tal intensidade, traz algo de grandioso em sua frustração do amor. Orestes era quase nada ainda quando da morte de Agamennon. Seu entendimento era praticamente nenhum, mas foi criado com o fito de vingar-se, de recuperar de Egisto o trono. O ósio por Clitemnestra é ainda maior, completamente insano, descontrolado. Ifigênia, a irmã dos protagonistas, foi morta por Agamennon em sacrifício aos deuses ao partir para a conquista de Tróia, daí a ira da rainha. O Rei passa dez anos na guerra e Egisto assume seu lugar na cama. Este será o instrumento do regicídio e ficará como joguete de Clitemnestra.

A princesa é forte em seu ódio. Só ele a sustenta e com seu fim cairá desmanchada e desesperada. Sem ele não terá mais forças, não mais ficará em pé. Uma sombra que, ao final, será seguida por Pílades.

O resto é dor, o resto é morte, o resto é sentimento dos mais poderosos, lançado impetuosamente ao espectador. O esplendor trágico do amor de Electra, concentrado quase que totalmente no ódio (há uma réstia de afeto quando Orestes, incógnito, lhe chega falando de si próprio). Há grandiosidade em seus olhos lamentosos desrecalcando-se (em chispas de fogo) sobre o corpo morto do vil Egisto. Há amor e ódio em seus corpos doridos e cansados, em suas faces tensas e tristes, em suas palavras de reflexo do inconcebível de sua perda da realeza, quando de sua presença sobre o túmulo de Agamennon.

Electra estivera encarcerada por tanto tempo, por tantas fases, que vê entre aqueles homens a liberdade, que vê em seu ódio o poder trágico de todo o seu povo. Sua destruição humana é belamente construída, seu encontro com a falsa liberdade e seu desengano, ao entender que o nobre realmente está nos corações pobres que os abrigaram e receberam, apesar de seu ódio e desprezo. Orestes o entende melhor.

Sobre Irene Papas só tenho uma coisa a dizer: após vê-la, será difícil imaginar outra Electra, mesmo em sonho.

[1] Esta é uma versão revista da crítica sobre Electra de Michael Caccoyannis publicada em duas partes na coluna de cinema do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em 30 de abril e 05 de maio de 1964, à página seis do primeiro caderno e assinada pelo autor como Luiz Alberto, simplesmente.

“Abaixo a polícia”, uma canção anarquista da Revolução Russa

Pesquisando canções libertárias, encontrei uma publicação de 2016 do Portal Anarquista do Colectivo Libertário de Évora que me passara despercebida. É uma canção em Ídiche composta por anarquistas judeus durante a revolução. Aproveitem, ouvindo a canção no post original (link no pé da matéria) e lendo a letra em português. Saudações libertárias!

Portal Anarquista

*

“Abaixo a polícia” é uma canção revolucionária, escrita por anarquistas judeus e muito popular durante o processo revolucionário russo .

“Em todas as ruas
Ouve-se falar de greves
Os rapazes, as raparigas e toda a família
Discutem as greves

Irmãos, basta de sofrer,
Basta de nos endividarmos
Façamos greve
Irmãos, libertemo-nos

Irmãos e irmãs
Demo-nos as mãos
Derrubemos os muros
Do pequeno Micolas
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Irmãos e irmãs
Deixemo-nos de formalismos
E encurtemos os dias
Do pequeno Nicolas
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Ontem ele puxava
Uma pequena carroça de sucata
Hoje tornou-se
Um capitalista
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Irmãos e irmãs
Juntemo-nos
E enterremos o pequeno Nicolas
Com a sua mãe
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Cossacos e guardas
Desçam…

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Na manhã de domingo 29/04/18 em Niterói, mais uma feira de trocas

Cultura na praça. Iniciatica popular sem amos nem mestres.

Organização Popular

Em Niterói neste domingo 29/04, haverá a VI Feira de Trocas culturais do Projeto Literatura na Varanda, do qual faz parte um militante da OP. Das 10h ao meio-dia na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí (próximo à Rua Miguel de Frias e Praia de Icaraí – pertinho da reitoria da UFF, em frente ao antigo cinema Icaraí). Estaremos num banquinho perto da reunião do grupo literário Escritores ao Ar Livro.

feira-de-trocasO evento é gratuito e aberto a todas as pessoas. A dinâmica é muito simples, cada uma expõe o que trouxe, depois conversa e troca o que quiser com a pessoa que também concordar com a permuta proposta. Para o escambo servem livros, CDs, revistas, discos de vinil, DVDs, histórias em quadrinhos, fanzines, gravuras ou o que mais se quiser. O que importa é a satisfação de uma necessidade ou o prazer de ter algo que se deseja, sem gastar…

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