“Abaixo a polícia”, uma canção anarquista da Revolução Russa

Pesquisando canções libertárias, encontrei uma publicação de 2016 do Portal Anarquista do Colectivo Libertário de Évora que me passara despercebida. É uma canção em Ídiche composta por anarquistas judeus durante a revolução. Aproveitem, ouvindo a canção no post original (link no pé da matéria) e lendo a letra em português. Saudações libertárias!

Portal Anarquista

*

“Abaixo a polícia” é uma canção revolucionária, escrita por anarquistas judeus e muito popular durante o processo revolucionário russo .

“Em todas as ruas
Ouve-se falar de greves
Os rapazes, as raparigas e toda a família
Discutem as greves

Irmãos, basta de sofrer,
Basta de nos endividarmos
Façamos greve
Irmãos, libertemo-nos

Irmãos e irmãs
Demo-nos as mãos
Derrubemos os muros
Do pequeno Micolas
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Irmãos e irmãs
Deixemo-nos de formalismos
E encurtemos os dias
Do pequeno Nicolas
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Ontem ele puxava
Uma pequena carroça de sucata
Hoje tornou-se
Um capitalista
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Irmãos e irmãs
Juntemo-nos
E enterremos o pequeno Nicolas
Com a sua mãe
Hey, hey abaixo a polícia
Abaixo a classe dirigente da Rússia

Cossacos e guardas
Desçam…

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Na manhã de domingo 29/04/18 em Niterói, mais uma feira de trocas

Cultura na praça. Iniciatica popular sem amos nem mestres.

Organização Popular

Em Niterói neste domingo 29/04, haverá a VI Feira de Trocas culturais do Projeto Literatura na Varanda, do qual faz parte um militante da OP. Das 10h ao meio-dia na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí (próximo à Rua Miguel de Frias e Praia de Icaraí – pertinho da reitoria da UFF, em frente ao antigo cinema Icaraí). Estaremos num banquinho perto da reunião do grupo literário Escritores ao Ar Livro.

feira-de-trocasO evento é gratuito e aberto a todas as pessoas. A dinâmica é muito simples, cada uma expõe o que trouxe, depois conversa e troca o que quiser com a pessoa que também concordar com a permuta proposta. Para o escambo servem livros, CDs, revistas, discos de vinil, DVDs, histórias em quadrinhos, fanzines, gravuras ou o que mais se quiser. O que importa é a satisfação de uma necessidade ou o prazer de ter algo que se deseja, sem gastar…

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Internacionalistas de Rojava denunciam os bombardeamentos da NATO contra o território sírio

A Comuna Internacionalista de Rojava, na Federação Democrática do Norte da Síria denuncia: “As grandes corporações internacionais e os media manipulam informações para controlar a opinião pública, gerando as condições necessárias para justificar este tipo de acções. A brutalidade e o uso de armas químicas em Afrin, tais como o cloro gasoso usado pelos bandos jihadistas que lutavam ao lado do exército turco, não provocaram qualquer resposta da comunidade internacional, enquanto a preparação para os ataques realizados hoje contra Homs e Damasco começou várias semanas antes das notícias sobre o suposto ataque químico”.
E Mosaico Mourisco Republica, via Portal Anarquista de Évora.

Portal Anarquista

siria

A partir da Comuna Internacionalista de Rojava, na Federação Democrática do Norte da Síria, denunciamos os bombardeamentos das forças da NATO contra o território sírio esta madrugada. Estes ataques imperialistas liderados pelos EUA, com a colaboração da França e do Reino Unido, são um novo exemplo da brutalidade e da sede imperialista das forças da NATO no Médio Oriente.

As potências globais exibem a sua indústria militar, testando as suas armas sem terem em conta os efeitos das suas acções sobre a população civil. O lançamento de mísseis de alta tecnologia sob o pretexto de um ataque químico que não foi provado utiliza a instabilidade que se vive na Síria, tornando-a o campo de testes para as novas armas que estão a aparecer. O aumento do valor de mercado das empresas construtoras de mísseis, que viram crescer o seu capital em mais de 5 mil milhões de dólares numa questão…

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Sobre Haukur Hilmarsson, o anarquista islandês morto em Afrin: “era um companheiro terno e sensível. Foi consequente até ao fim”

Solidariedade Internacional e ação direta. Haukur Hjalmarsson, Presente agora e sempre!

Portal Anarquista

Capturar

O Batalhão Internacional da Liberdade (IFB) que combate em Rojava lado a lado com o YPG pela libertação do povo curdo e a implementação do municipalismo de base libertária anunciou recentemente a morte de mais um combatente internacionalista o anarquista islandês, Haukur Hilmarsson, de 32 anos. Segundo o comunicado do International Freedom Battalion:

“O nosso camarada Haukur Hilmarsson (nome de guerra Sahin Hosseini) tornou-se imortal. Era um militante anarquista dedicado,que respondeu ao apelo antifascista do YPG e do Batalhão Internacional da Liberdade e que viajou imediatamente para se juntar à luta em Manbij. Impossibilitado de alcançar Rojava e deportado do Iraque para a Islândia natal, ele não desistiu. Voltou rapidamente à região e ganhou honra e respeito nas sangrentas batalhas de Raqqa, integrando como comandante de equipe a IFB. Ele era popular e todos os camaradas confiavam nele, por isso foi escolhido como representante no comitê da unidade. Pronto para partir…

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José Louzeiro, sempre do outro lado da linha do trem.

Luiz Alberto Sanz

Morreu hoje, aos 85 anos, o companheiro José Louzeiro. Respeitávamos-nos, acima das divergências, secundárias, que sempre podem existir. Sinto sua morte e, é claro, a falta que farão suas sinceridade, perspicácia e pertinácia e o enorme talento que marcaram sua vida.

Dei uma rápida olhada no noticiário da Internet e chamou minha atenção o silêncio tonitruante sobre o sindicalista e político José Louzeiro, principal dínamo da criação do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, em 1968 e, dez anos depois, na fase de “abertura”, um dos mais destacados ativistas que levaram à derrota dos pelegos que dele se haviam apossado com a ajuda da Repressão e à eleição do imortal Antonio Houaiss. Está lá no Tiro de Letra (http://www.tirodeletra.com.br/) onde fui conferir, porque até a Wikipédia omite esta faceta de sua história.

Louzeiro sempre foi um resistente, com visão clara sobre o mundo de opressão em que vivemos. Basta ler seus romances, sejam os criminais ou os juvenis para perceber quem era o autor, que nunca esqueceu suas origens. Entre os meus preferidos, estão os da “Gang do Beijo”, classificado de infanto-juvenis (eu deixaria o infanto de lado), marcado pelo elogio à inteligência, à rebeldia e à tomada, pelos jovens, do destino em suas próprias maõs.

Lembro uma anedota que contam a seu respeito, simbólica. Se não for verdadeira, merece que se publique a versão:

Era aí por 1985 (não lembro exatamente) e José Sarney (usando de prerrogativas que Getúlio Vargas já usara) se fez eleger membro da Academia Brasileira de Letras. O repórter diz ao super-repórter Louzeiro: “O poeta Ferreira Gullar apoiou a indicação do Presidente Sarney e disse que ele é um dos maiores poetas brasileiros. O que o senhor acha, como escritor maranhense?” Louzeiro, não teria pensado muito e respondeu algo assim:

“Eu não entendo nada disso. Isso é coisa lá deles. Eu nasci no outro lado da linha do trem”.

Uma das melhores definições de classe e de atitude perante a vida de que já tomei conhecimento. Louzeiro nunca abandonou seu lado da linha do trem.

Vamos lembrá-lo para sempre. A pais e avós, só posso recomendar que presenteiem seus filhos, netos, sobrinhos, sempre que puderem, com os romances de Louzeiro, mesmo quando já estiverem adultos. É seu legado. E fico aqui lembrando o sindicalista com quem minha mãe militou e cuja liderança reconhecia.

Foto de Bruna Castelo Branco/Divulgação, recolhida do site Uai.Louzeiro foto Bruna Castelo Branco-div